terça-feira, 22 de setembro de 2015

Longevidade e sadia qualidade de vida sexual, por Ana Candida Echevenguá*

“... as pessoas só se definem no seu relacionamento com as outras. Ninguém é o que pensa que é, muito menos o que diz que é. Precisamos da complicação para nos definir. Ou seja: ninguém é nada sozinho, somos o nosso comportamento com o outro. Principalmente com aquela versão extrema do outro que é o outro de outro sexo”. Luis Fernando Veríssimo – Sexo na Cabeça, pág. 35.

Nos anos 80, a longevidade beirava os 62 anos. Hoje, o cidadão brasileiro vive, em média 74,9 anos, conforme apurou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, através de sua Tábua Completa de Mortalidade, divulgada no final de 2014.


Em Santa Catarina, devido em parte às melhores ofertas de programas de saúde pública com 78,1 anos em média; o homem vive em média 78,1 anos e a mulher, 81,4 anos.




 

O aumento da longevidade pode estar ligado a ações preventivas que, além de reduzir a exposição ao risco, exigem poucos gastos como prevenção de doenças, incentivo à adoção de hábitos dietéticos saudáveis, prática do exercício físico e planejamento familiar. Se aplicadas de forma continuada, podem gerar inúmeros benefícios, inclusive aos cofres públicos.

Todo mundo vai morrer; isso é certo. Mas não precisa ser precocemente. E se houver chance de prolongar a vida, seu final não precisa ser incapacitante. 

Nossos governantes e autoridades da saúde dedicam parte insignificante – menor que o mínimo razoável – para as políticas básicas de saúde pública. Precisamos garantir, a essa parcela da população, a sadia qualidade de vida. E a melhor ferramenta para isso, além da Constituição Federal, é o Estatuto do Idoso.

A satisfação sexual diminui com o passar dos anos?

Os resultados da pesquisa "Satisfação Sexual", coordenada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Sidney Glina, e patrocinada pelos Laboratórios Pfizer, após ouvir 2.100 pessoas no Brasil, confirmou que o envelhecimento do ser humano traz dois aspectos interessantes: 

-       a mulher torna-se mais exigente com a sua relação sexual e mais rigorosa ao avaliar o desempenho de seu parceiro e
-       o homem, mais inseguro quanto ao seu próprio desempenho sexual. 

 Ora, o macho brasileiro é famoso pela importância dedicada à sua performance no sexo. Diante da pergunta sobre a melhor fase de sua vida sexual, 60% das pessoas com até 45 anos afirmaram que é a atual. Após essa idade, o percentual reduziu-se à metade: aos 50 anos, muitos homens estão insatisfeitos com seu desempenho sexual.  

Apenas 23% das mulheres acima dos 56 anos estão felizes sexualmente; 48% julgam o desempenho de seus companheiros excelente ou bom.

Qual o motivo da insatisfação sexual nesta faixa etária?
 
A insatisfação feminina está diretamente ligada aos problemas físicos masculinos como a dificuldade de ereção que ataca 50% dos homens com mais de 40 anos de idade. 

Como se pode observar, a disfunção erétil não prejudica somente o representante do sexo masculino (que tem duplicada a chance de sofrer de depressão): ela traz consequências nefastas à mulher e ao casal.  

O milagre da pílula azul



Desde o lançamento do Viagra - o primeiro medicamento disponível no mercado para o tratamento da disfunção erétil – mais de 50 milhões de consumidores do sexo masculino tiveram garantia de uma vida sexual saudável com a ingestão da ‘miraculosa pílula azul’. 

No entanto, há más notícias no ar! Estudo publicado no Jornal Britânico de Urologia informa que, no mundo, ao problemas sexuais afetam 35% dos homens e 43% das mulheres. E que em 2025, cerca de 300 milhões de homens no mundo sofrerão com problemas de ereção.

 No Brasil é grande a ignorância sobre o que seja esta tal de disfunção erétil. Sabe-se que ataca as comunidades ricas e pobres. E que menos de 10% dos brasileiros portadores deste mal estão sob tratamento. Preconceito, medo, dificuldade de comunicação...? Estes seriam os principais obstáculos à busca de cuidados médicos? 

A melhor notícia deixei para o final. Quem está colaborando com a saúde do homem neste campo tão delicado e desconhecido? A mulher que, por se apresentar cada vez mais exigente em relação à postura sexual de seu companheiro, estimula-o a buscar socorro médico adequado.



* Ana  Candida  Echevenguá, OAB/RS  30.723, OAB/SC 17.413-A, advogada e articulista, especializada em Direito Ambiental e em Direito do Consumidor. Coordenadora do Programa Eco&Ação, no qual desenvolve um trabalho diretamente ligado às questões socioambientais, difundindo e defendendo os direitos do cidadão à sadia qualidade de vida e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. email: anaechevengua@gmail.com

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